Pudim de Chia, Banana e Cúrcuma
O tempo melhora e, com ele, insinuam-se na mesa da manhã uns pequenos-almoços mais leves, mais frescos, quase como se o próprio corpo, menos dado aos rigores do frio, pedisse agora claridade e simplicidade. Há mais fruta, mais sumos, e surgem estes pudins, ora de chia, ora de aveia adormecida, que se fazem na véspera com a placidez de quem prepara o dia seguinte sem alvoroço. Hoje, sem grande hesitação, foi a chia a eleita.
A chia vem de longe, de terras que conheceram outros sóis e outras urgências. Já os povos da antiga civilização asteca a tinham em conta, não como capricho moderno, mas como sustento sério, quase essencial. Diz-se que os mensageiros levavam consigo estas pequenas sementes, discretas no tamanho, mas densas em energia, capazes de sustentar longas jornadas. Há nisso qualquer coisa de austero e funcional que convém não romantizar em excesso, mas que ainda assim explica a persistência da chia até aos nossos dias, agora reabilitada com um certo entusiasmo urbano.
Do ponto de vista mais prosaico, a chia tem essa virtude prática de absorver líquidos e formar uma textura que oscila entre o creme e o gel, oferecendo fibra, alguma saciedade e uma digestão mais ordeira. Não é milagre nem panaceia, e convém afastar essas ilusões fáceis, mas cumpre com eficácia aquilo a que se propõe.
Gosto desta forma de começar o dia, não por qualquer moda passageira, mas porque encaixa numa lógica simples e difícil de contrariar. Há mais fibra, uma energia mais estável, e o corpo responde sem dramatismos. Acresce ainda a conveniência, que não é um detalhe menor. Estas receitas fazem-se à noite, sem pressa, e de manhã estão prontas, silenciosas no frigorífico, à espera apenas de um gesto final.
Esse gesto, quase sempre, é a fruta. Junta-se por cima, ou envolve-se com alguma intenção, e com ela vem a possibilidade de variar sem cair na monotonia. Não é apenas uma questão de escolha entre banana ou morangos, mas também de pequenas inflexões de sabor, introduzidas por uma especiaria aqui, outra ali. A canela, o cardamomo, cada uma com o seu temperamento, e hoje a curcuma, com o seu fundo terroso que exige mão firme e alguma contenção.
Foi, então, um pudim de chia com banana e curcuma. Simples na aparência, quase modesto, mas suficiente para inaugurar o dia com uma certa ordem e clareza, sem excessos nem concessões desnecessárias. Não é mais do que isso, mas também não precisa de ser. E, se quer saber como este pudim atinge essa cremosidade quase indecorosa, veja o meu segredo na receita.
Espero que gostem.
Pudim de Chia com Banana ou Morangos
Para 2 pessoas | Dificuldade: fácil | Preparação: 10 min | Cozedura: 0 min (repouso: 2-4 h)
Ingredientes:
• 4 colheres de sopa de sementes de chia
• 250 ml de leite
• uma pitada de sal
• 1 banana madura ou 6-8 morangos
• 1 colher de café de curcuma em pó
• 1/2 colher de chá de extrato de baunilha (opcional)
Preparação:
Num recipiente, junte o leite, a banana, as sementes de chia, o sal, a curcuma e a baunilha.
Triture com a varinha mágica até obter uma mistura lisa e homogénea. É aqui que transforma um pudim vulgar numa textura mais densa e aveludada.
Cubra e leve ao frigorífico por pelo menos 2 horas, idealmente durante a noite, até engrossar.
Sirva com rodelas de banana ou com uns morangos cortados.
Bom Apetite.