Challah Recheado com Compota de Ananás e Coco
Gosto de massas levedadas.
Gosto de as ver crescer, transformarem-se lentamente, ganharem vida. Há qualquer coisa de profundamente reconfortante nesse tempo invisível em que a massa trabalha em silêncio até se tornar pão, bolo, brioche, challah.
Ainda falta algum tempo para a Páscoa, é verdade.
Mas o tempo passa depressa, tão depressa, que quando damos por isso ela já está aí, a pedir uma mesa pensada, uma ementa que a dignifique e que a encha de orgulho.
A Páscoa é uma época profundamente ligada à religião católica e a todos os cristãos. As mesas enchem-se de receitas tradicionais, doces e salgadas, feitas de gestos repetidos e memórias partilhadas.
Por cá, os folares são imprescindíveis. Noutros lugares surgem outros pães de celebração: a babka da Europa de Leste, o tsoureki grego, a colomba italiana, o hot cross buns do mundo anglo-saxónico.
Os challahs, de origem judaica, fazem também parte desta cultura de pão festivo. Pães trançados que simbolizam união, continuidade e abundância, entrelaçando fios de massa como quem liga histórias e pessoas à mesa.
Com este tempo tão triste, resolvi ligar o forno. Ia fazer um brioche, mas acabei por aumentar a exigência e fazer um challah. É um pão que pede massa bem batida, bem levedada, tempo e atenção. Tradicionalmente é simples, para que se possa apreciar o sabor puro da massa.
Desta vez, resolvi fazê-lo doce, com compota de ananás e coco. Um recheio delicado, que respeita a massa e resulta num pão macio, aromático e equilibrado. Doce, mas sem excessos.
Um pão que foi feito antes do tempo, mas já a pensar na mesa que vamos compor.
Espero que gostem.
Challah Recheado com Compota de Ananás e Coco
8–10 pessoas | Dificuldade: média | Preparação: 30 minutos | Levedação: 2 h 30 min | Cozedura: 25–35 minutos
Ingredientes:
• 1 kg de farinha de trigo forte T65
• 11 g de fermento seco de padeiro
• 100 g de açúcar
• 120 ml de óleo vegetal
• 20 g de sal fino
• 2 ovos
• 250 ml de água morna (aprox.)
Recheio:
• 250–300 g de compota de ananás
• 60–80 g de coco ralado
Para pincelar (opcional)
• 1 ovo batido
Para o xarope (opcional)
• 2 c. de sopa de mel
• 1 c. de água
Preparação:
Coloque na taça da batedeira a farinha, o fermento e o açúcar. Misture ligeiramente. Junte o sal, afastando-o do fermento.
Adicione os ovos e o óleo. Comece a amassar com o gancho, juntando a água gradualmente, até obter uma massa macia, elástica e ligeiramente húmida.
Amasse durante 8 a 10 minutos, até a massa ficar lisa, sedosa e a descolar das paredes da taça.
Forme uma bola, coloque-a numa taça ligeiramente untada, cubra e deixe levedar em local morno durante cerca de 1 hora, até duplicar de volume.
Retire o ar à massa e estenda-a em formato retângulo. Espalhe a compota de ananás de forma uniforme e polvilhe com o coco ralado.
Após espalhar o recheio, dobre a massa sobre si mesma, estique-a com um rolo da massa e divide-a em duas partes iguais.
Numa das partes, corte a massa em duas tiras e entrance-as entre si.
Na outra, corte em três tiras e faça uma trança tradicional de três fios. Coloque os challahs num tabuleiro, forrado com papel vegetal, cubra e deixe levedar novamente durante 1 h a 1 h 30.Pré-aqueça o forno a 180 °C. Pincele com ovo batido, para ter um acabamento dourado.
Leve ao forno durante 25 a 35 minutos, até ficar bem dourado e cozido no interior.
Prepare, entretanto, o xarope: Misture o mel com a água. À saída do forno, pincele o challah ainda quente com o mel frio, para um acabamento mais húmido e brilhante.
Sirva morno com um chá.
Bom Apetite.
