Pão-de-Ló tipo Ovar
Na mesa pascal portuguesa, entre amêndoas e folares, há sempre lugar para o pão-de-ló — esse bolo antigo, de doçura franca e aparente simplicidade, que afinal exige mão firme e critério apurado. Diz-se que nasceu nos conventos, onde freiras engenhosas, com abundância de ovos e açúcar, foram afinando receitas até atingir esta textura suave que hoje tomamos por tradição.
O de Ovar, porém, não é apenas mais um: é quase uma ousadia. Sai do forno com o centro ainda húmido, quase líquido, como se recusasse cumprir a ideia comum de bolo “bem cozido”. Há quem conte, com graça, que terá sido fruto de um descuido — um forno aberto cedo demais — que acabou consagrado pelo gosto popular. Verdade ou não, ficou.
Eu não escondo a minha inclinação: prefiro estes pães-de-ló húmidos, como o de Ovar ou o de Alfeizerão, onde a massa se desfaz em creme. Mas convém reconhecer o óbvio — o país divide-se. Há quem exija fatia firme e seca, quase esfarelada; outros procuram precisamente este excesso, esta fronteira entre o sólido e o líquido.
No fim, mais do que técnica, é uma questão de gosto — e, como tantas outras à mesa portuguesa, dificilmente se resolve.
Espero que gostem.
Pão-de-Ló tipo Ovar
4–5 pessoas | Dificuldade: média | Preparação: 20 min | Cozedura: 30–35 min
Ingredientes:
• 8 ovos
• 250 g de açúcar
• 125 g de farinha sem fermento
Preparação:
1. Bata os ovos com o açúcar na batedeira durante 8–10 minutos, até triplicarem de volume e adquirirem uma palidez fofa e leve.
2. Incorpore a farinha peneirada, com gesto brando e paciente, em sucessivas adições, sem ferir o ar conquistado.
3. Verta o preparado para uma forma forrada com papel vegetal, com cuidado.
4. Leve ao forno a 200 °C até durante 13 a 15 minutos para que as bordas se firmem e o centro permaneça húmido, quase indeciso.
5. Deixa repousar antes de desenformar.
Bom Apetite.
