Sopa de Cenoura Assada
Volto sempre às sopas como quem regressa a casa. Há nelas qualquer coisa de ancestral e inevitável, uma espécie de chamamento que atravessa estações e humores. Gosto delas quentes quando o dia pesa, frias quando o sol aperta, lisas como um puré obediente ou cheias de pequenas resistências que obrigam a mastigar devagar. Cá em casa há quase sempre uma panela de sopa, sinal silencioso de que a vida segue com alguma ordem. Talvez seja mesmo sopeira, assumo-o sem pudor.
A sopa é humilde, mas não é ingénua. Pode nascer do simples ato de cozer legumes em água, pode ganhar profundidade no lume lento do estufado ou, como nesta, pode pedir ao forno que faça primeiro o seu trabalho. Assar os legumes é dar-lhes tempo e carácter. É permitir que o açúcar natural se revele, que a cenoura se torne mais grave, que a abóbora se adense e a cebola se renda, dourada e quase doce. Depois, quando tudo se tritura, já não estamos perante uma sopa ligeira e distraída, mas um creme com corpo e intenção. Volto sempre às sopas como quem regressa a casa. Há nelas qualquer coisa de ancestral e inevitável, uma espécie de chamamento que atravessa estações e humores. Gosto delas quentes quando o dia pesa, frias quando o sol aperta, lisas como um puré obediente ou cheias de pequenas resistências que obrigam a mastigar devagar. Cá em casa há quase sempre uma panela de sopa, sinal silencioso de que a vida segue com alguma ordem. Talvez seja mesmo sopeira, assumo-o sem pudor.
A sopa é humilde, mas não é ingénua. Pode nascer do simples ato de cozer legumes em água, pode ganhar profundidade no lume lento do estufado ou, como nesta, pode pedir ao forno que faça primeiro o seu trabalho. Assar
Imagino que a sopa tenha sido dos primeiros pratos quentes que o ser humano inventou. Água ao lume, o que houvesse à mão, raízes, folhas, talvez um punhado de grãos. A partir daí foi-se afinando o gesto, aprendendo o tempo certo, o tempero, a paciência. Hoje a sopa continua a ser conforto, mas é também consciência. Começar uma refeição com uma sopa é preparar o corpo e aquietar o espírito. Esta de cenoura assada faz isso com particular convicção simples demais. Tem densidade, tem voz, tem memória. Não pede pressa, pede colher cheia e silêncio atento. É simples, mas não é simples demais.
Gosto de acompanhar as sopas ou com pão torrado, ou com gressinos, como estes de azeitonas da Panealba.
Espero que gostem.
Sopa de Cenoura Assada
4 pessoas · Dificuldade fácil · Tempo de preparação: 15 minutos · Tempo de cozedura: 40 minutos
Ingredientes:
• 800 g de cenouras
• 100 g de abóbora
• ½ cebola branca
• 1 colher de chá de cominhos em pó
• 1 litro de caldo de legumes quente
• 2 colheres de sopa de azeite
• Iogurte grego, a gosto
• Sal e pimenta preta q.b.
• Curcuma q.b.
• Hortelã fresca (opcional)
• Sementes de sésamo (opcional)
Preparação:
Descasque as cenouras e corte-as em pedaços uniformes. Repita o gesto com a abóbora e a cebola.
Disponha os legumes num tabuleiro de forno, polvilhe com os cominhos, o sal, a pimenta e a curcuma, e regue tudo com o azeite.
Leve ao forno pré-aquecido a 200 °C durante cerca de 40 minutos, até ficarem macios e levemente caramelizados, libertando um aroma doce e quente.
Transfira os legumes assados para um liquidificador ou Bimby, junte o caldo quente e triture até obter um creme sedoso e envolvente. Ajuste os temperos se necessário.
Sirva a sopa bem quente, coroada com uma colher de iogurte grego, uma pitada de especiarias a seu gosto e, se quiser, folhas de hortelã e sementes de sésamo.
Bom Apetite.
