Requeijão com Tamarillos Caramelizados

Requeijão com Tamarillos Caramelizados

Encontrei tamarillos na praça das Caldas da Rainha. Sempre que os vejo, compro. Não por lhes ter uma devoção imediata enquanto fruta, o seu sabor é franco, ácido, sem complacências, mas porque há neles uma vocação rara para a cozinha, onde se transformam e ganham espessura, tanto no salgado como no doce.

O tamarillo vem de longe. É natural das encostas andinas da América do Sul, onde cresce entre neblinas e terras inclinadas, habituado a climas amenos e a solos que sabem guardar água. Chegou à Europa discretamente, como chegam as coisas que não fazem alarido, e por cá ficou num território de fronteira: nem fruta popular, nem ingrediente esquecido. Pertence à família das solanáceas, primo do tomate e da beringela, mas com uma personalidade própria, marcada por uma acidez viva e uma polpa que pede sempre companhia.

É rico em vitamina C, em antioxidantes, em minerais que sustentam o corpo sem o sobrecarregar. Mas mais do que propriedades, o tamarillo tem carácter. Cru, exige; cozinhado, recompensa. Quando o calor lhe toca, perde a aspereza inicial e revela notas profundas, quase vínicas, que lembram frutos vermelhos e terra húmida.

Não conheço lendas antigas que o envolvam. Talvez porque nunca foi fruto de reis nem de mitos, mas de mercados, de mãos calejadas, de cozinhas onde se experimenta. Ainda assim, há nele algo de narrativo: um fruto que não se oferece de imediato, que pede tempo, atenção e fogo baixo.

Assim que os vi na banca, lembrei-me do requeijão dos Queijos Santiago que tinha no frigorífico. A associação foi imediata, quase inevitável. Em Portugal, há uma entrada que nos habita a memória: requeijão com compota de abóbora e nozes. É um clássico honesto, de mesa antiga, servido sem pressas. Mas naquele momento, apeteceu-me desviar ligeiramente do caminho conhecido.

Resolvi então trocar a doçura macia da abóbora pela acidez domada do tamarillo. Caramelizei-o lentamente, deixei que o açúcar lhe arredondasse as arestas, juntei nozes para o amargo e um fio de mel para unir tudo. O requeijão, fresco e branco, ficou no centro, como uma página limpa à espera de texto.



Espero que gostem

Requeijão com Tamarillos Caramelizado
2–3 pessoas · Fácil · Preparação: 10 min · Cozedura: 10 min

Ingredientes:
• 3 tamarillos
• 1 requeijão, dos Queijos Santiago
• 2 colheres de sopa de açúcar mascavado
• 1 colher de sopa de manteiga
• Nozes grosseiramente picadas
• Mel q.b.

Preparação:

1.     Descasque os tamarillos e corte-os em fatias.

2.     Leve-os ao lume com a manteiga e o açúcar até caramelizarem ligeiramente.

3.     Disponha o requeijão num prato e cubra com o tamarillo quente.

4.     Polvilhe com nozes e regue com um fio de mel.

5.     Sirva ainda morno, onde o doce, o ácido e o cremoso se encontram.

Bom Apetite.

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