Pasta de Rabanetes com Queijo Feta

Pasta de Rabanetes com Queijo Feta

A primavera, essa estação que se anuncia mais pelo ímpeto do que pelo rigor do calendário, traz consigo o regresso discreto, mas não menos digno, do rabanete. Pequeno, ruborizado e de mordedura viva, surge nas hortas como quem nada pretende, quando na verdade muito oferece.

Habituámo-nos, por desleixo ou comodidade, a consumi-lo cru, com uma pitada de sal, reduzindo-o a um gesto automático de cozinha ligeira. Mas tal prática, embora simples, é redutora. O rabanete, se bem tratado, presta-se a variações mais subtis, ora em pastas delicadas, ora em composições onde a sua frescura corta a gordura e desperta o paladar. Procurar nele apenas crocância é não o compreender.

Pertence à respeitável família das crucíferas — onde se alinham, com gravidade, o repolho, a couve-flor, o brócolo e o nabo —, o que desde logo lhe confere uma linhagem de mérito. Ainda assim, não se limita ao vulgar rabanete rosado que povoa os mercados. Há-os negros, de carne mais firme e sabor decidido; brancos, de elegância quase austera; amarelos e roxos, que parecem querer disputar à natureza o gosto pelo ornamento. Todos, porém, partilham uma virtude essencial: oferecem mais do que prometem.

Quanto à sua origem, não é vegetal de parca biografia. Há indícios de que era já conhecido no antigo Egipto, onde alimentava trabalhadores das pirâmides — o que, convenhamos, não é credencial menor. Também na Grécia antiga mereceu apreço, sendo oferecido, segundo alguns relatos, aos deuses — talvez exagero, mas revelador da estima. Os romanos, sempre práticos, trataram de o espalhar pela Europa, onde encontrou terreno fértil e cozinhas curiosas.

E se a história lhe dá nobreza, a composição confirma-lhe a utilidade. Rico em vitaminas do complexo B e vitamina C, carregado de fibras e minerais como o potássio e o magnésio, o rabanete não é apenas um capricho estacional. Consumido com regularidade, contribui para uma alimentação equilibrada e, a prazo, para a manutenção de uma saúde robusta.

No fundo, o erro comum não está em comer rabanetes, mas em não lhes prestar a devida atenção. Tratá-los como acessório é desperdiçar aquilo que, sendo simples, exige apenas um pouco mais de atenção para revelar o que vale.

Na cozinha, como na vida, os ingredientes simples são quase sempre os mais exigentes: não toleram disfarces, nem se deixam salvar por artifícios. Pedem mão segura, critério e algum respeito pelo que são. O rabanete, modesto na aparência, mas firme na subtileza, lembra-nos disso com uma clareza que estala entre os dentes. Quem o entende, pouco precisa de mais.

Espero que gostem.

 

Pasta de Rabanete com Queijo Feta
4 pessoas | Fácil | 15 min preparação | 0 min cozedura

Ingredientes:
• 6 a 8 rabanetes, conforme o tamanho
• ½ chalota
• 200 g de queijo feta
• Sumo de 1 limão
• 1 colher de sobremesa de azeite
• Sal q.b.
• Endro ou hortelã q.b.

Preparação:

  1. Lave os rabanetes com zelo, corte-os ao meio e reserve. Descasque a chalota e divida-a igualmente.

  2. Num processador, coloque os rabanetes e a chalota, triturando até começarem a ceder à lâmina. Junte o queijo, o sumo de limão e o azeite, e prossiga até obter uma pasta cremosa e homogénea.

  3. Prove com atenção: ajuste o sal e, se lhe aprouver o feta já é salgado, acrescente endro ou algumas folhas de hortelã finamente picadas, que darão frescura e leve insolência ao conjunto.

  4. Transfira a mistura para um coador, permitindo que perca o excesso de líquido, e leve ao frigorífico durante cerca de 1 hora, para firmar e apurar sabores.

  5. Sirva fresca, guarnecida com mais ervas, acompanhada de bolachas ou palitos de pão — simples, mas com intenção.

Bom apetite.

 

Queijo de Endívias com Queijo Alavão

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